USO ABUSIVO DE ESTEROIDES ANABOLIZANTES

OS EFEITOS COLATERAIS - PARTE I

Os hormônios esteroides anabólicos androgênicos (EAA), produzidos pelos testículos e glândulas suprarrenais, compreendem a testosterona e seus derivados. Na medicina, são utilizados em tratamentos de tumores, baixa estatura patológica e disfunções hormonais. Porém, cada vez mais aumenta o número de frequentadores de academias, buscando obter resultados imediatos, e para isso recorrem aos anabolizantes. Entretanto, sua eficácia sobre o desempenho atlético permanece controversa sobressaindo os efeitos colaterais, muitos deles fatais.

Como a temática relacionada aos anabolizantes é ampla iremos discorrer o assunto em três textos. Para essa primeira parte, vamos nos ater aos efeitos colaterais sobre o sistema cardiovascular, na segunda parte será descrito os efeitos sobre o sistema endócrino e na terceira parte os efeitos colaterais sobre a pele/cabelo, o fígado e o comportamento.

SISTEMA CARDIOVASCULAR

O uso abusivo de EAA é responsável por um impacto direto no sistema cardiovascular. Em relação ao metabolismo lipídico, os EAAs geram uma redução na “fração boa” do colesterol (HDL-colesterol) paralelamente a um aumento na “fração ruim” (LDL-colesterol) através da ativação e/ou inibição de enzimas hepáticas e localizadas nos tecidos que regulam as concentrações de colesterol sanguíneo. Dessa forma, os EAA potencializam a formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos, em um processo conhecido como aterosclerose, o qual pode causar infartos, AVC e até mesmo disfunção sexual.

Juntamente ao processo aterosclerótico os EAA promovem um aumento desproporcional na massa muscular cardíaca (hipertrofia cardíaca) causando uma diminuição nas suas cavidades, principalmente no ventrículo esquerdo. Com isso, o coração não consegue bombear sangue de forma eficiente. Associado a hipertrofia cardíaca há um aumento na resistência periférica vascular e do volume sanguíneo (retenção de líquidos promovida pelos EAA) que invariavelmente eleva a pressão arterial.

Todos esses fatores acabam por sobrecarregar o sistema cardiovascular, que pode falhar, principalmente quando submetido a maiores esforços, como exercícios vigorosos. Relatos de arritmias e insuficiência cardíaca não são incomuns quando se faz uso crônico de esteroides anabolizantes.

Por fim, Chegamos ao final dessa primeira parte do texto, na semana que vem, serão apresentados os efeitos dos esteroides sobre o sistema endócrino.

Peter Felipe Silva

Para ler mais sobre este assunto, acesse:

http://www.pergamum.udesc.br/dados-bu/000000/00000000000d/00000d15.pdf

TREINAMENTO EM EXCESSO - OVERTRAINING

QUANDO O CORPO PEDE DESCANSO...

A prática regular de atividade física associada com uma alimentação saudável é considerada um fator de prevenção para inúmeras doenças cardiovasculares. Entre seus benefícios podemos citar alterações fisiológicas, estéticas e psicológicas.

No entanto, seu excesso pode proporcionar justamente o contrário. O aumento da sobrecarga associada a um repouso insuficiente pode causar uma queda de rendimento, configurando um quadro patológico conhecido como Overtraining.

Existem diversas teorias que tentam explicar as bases fisiopatológicas dessa síndrome, porém até o momento nenhuma teve comprovação científica. A teoria mais aceita e difundida pela literatura é a indução do overtraining pela síntese de citocinas.

Durante o exercício ocorrem alguns microtraumas na musculatura em resposta ao estímulo da atividade. Podemos dizer que estes microtraumas são proporcionais à intensidade do treino. Em resposta a este estímulo, esperamos que a musculatura se regenere após um determinado período de tempo, caracterizando o processo de adaptação fisiológica.

Porém, sabe-se que essa recuperação não é alcançada por atletas que estejam realizando atividades intensas sem o período adequado de repouso. Dessa forma, um processo inflamatório local torna-se crônico e posteriormente sistêmico.

A inflamação sistêmica proporciona um grande recrutamento e ativação de células inflamatórias (principalmente macrófagos) que produzem e secretam substâncias pró-inflamatórias, as chamadas citocinas (principalmente as Interleucinas 1 e 6).

Essas citocinas são responsáveis por inúmeras atividades biológicas. Dentre elas, sua a interação com o hipotálamo estimula a secreção do hormônio liberador de corticotrofina (CRH), que por sua vez incita a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) pela hipófise, aumentando a produção de cortisol pelas glândulas adrenais.

A alta atividade inflamatória e a hipersecreção de cortisol seriam as responsáveis (direta ou indiretamente) pela hiporexia (pouco apetite), imunodepressão, efeito catabólico e fadiga central.

Dessa forma, o atleta experimenta uma notória queda de rendimento associada a dores musculares, distúrbios do sono, infecções recorrentes, desânimo e em alguns casos quadros depressivos.

Associado (e muitas vezes devido) a essa redução no rendimento, o atleta apresenta um elevado nível de estresse psicológico que, por sua vez, estimula a síntese e produção de cortisol contribuindo ainda mais para a piora desta fisiopatologia.

Pode-se dizer que, a prática de exercício físico mediante supervisão de um educador físico, aliada a um acompanhamento médico e um adequado aporte nutricional é a melhor forma de prevenção.

Porém, quando o quadro sindrômico já foi estabelecido, o tratamento, na maioria dos casos, se baseia no repouso prolongado, muitas vezes por meses, visando o restabelecimento do equilíbrio hormonal e psicológico do atleta.

Portanto, todos nós, atletas ou não, nunca devemos nos esquecer de que o nosso corpo necessita de descanso e como toda máquina, tem seus limites.

Peter Felipe Silva

Para ler mais sobre este assunto, acesse:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000427302005000300006&lng=en

FISIOPATOLOGIA

DE ONDE VEM ESSE TERMO? QUAL O SEU SIGNIFICADO?

Tal palavra deriva-se de patologia - ciência que se dedica ao estudo das doenças. Portanto, fisiopatologia faz-se como um braço da patologia, atendo-se ao estudo das alterações funcionais de órgãos e sistemas afetados por uma condição patológica.

Essa nova seção do site Antropometria se dedicará a discorrer, de forma didática e objetiva, o que ocorre com o organismo humano frente a um processo patológico.

Desde já, afirmo que tal seção NÃO tem o intuito de indicar, promover e/ou produzir diagnósticos e/ou tratamentos, a real intenção se baseia exclusivamente na propagação de informações referente aos temas abordados.

Nós, do site Antropometria, esperamos que apreciem as informações que se seguirão e contamos com a participação de todos nos enviando perguntas e sugestões para textos futuros.

Boa leitura!

Peter Felipe Silva